domingo, 18 de dezembro de 2011

A escuridão entra por debaixo da porta e afunda o chão,
tornando tremulas as paredes cobertas pelas essências
das vidas reunidas no quarto pequeno da pensão do fim
da rua escura, orquestrada pelos sussurros e risos abafados.
Lá fora um telefone toca e ninguém parece notar.
Isso me intriga. Seria apenas o acaso? um engano, quem sabe?!
Ninguém se importa, todos se preocupam apenas com a nossa
estranha interação, ali, perdida no centro de algum lugar,
no final da rua escura.
Quebrei a rotina,
inverti a ordem das coisas,
Fiquei tão deslumbrada que me atrasei...
Perdi a hora e nunca mais achei.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Simplesmente sobrevivendo e me adaptando aos problemas do mundo
Cansada demais pra abstrair tudo o que me incomoda.
Decepções são sempre exaustivas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sem raízes

Nada mais me prende aqui
Tive minhas raízes arrancadas tão bruscamente que nem ao menos
pude me situar
Eu não me sinto livre.
Eu não sinto mais nada
As pessoas se importam cada vez menos
um sorriso falso e apatia parece ser a redenção
Poderia sumir
Simplesmente deixar tudo pra trás
Não dá pra ser forte o tempo inteiro.
Dói.

domingo, 16 de outubro de 2011

Conquistas irreais pesando sobre as minhas costas
Eu, atordoada, não me mexo mais.
O tempo consome as memórias mas não o desgaste
Ainda existe um fardo à ser carregado
Ainda que não haja mais forças
Ainda que não reste nada.

domingo, 4 de setembro de 2011

Minhas manhãs são
          sempre mal-humorada,
                       cheias de tédio e preguiça
com Tom Zé me cantando aconchego
                            e só ele permito que me fale.
A imaginação me leva pra fora de órbita
                                   junto com todos os olhos de zé.
E me deixa numa esquina qualquer
                                       onde a alegria não pareça tão medíocre.




segunda-feira, 11 de julho de 2011

Eis que nasce então um grito incontido de desespero em pró da falta que se sente...
Da minha boca nem mais uma vírgula, nem mais nada.

Nada além do beijo desfeito nos lábios outros...

                                                                     Porém igualmente meus.
Não tem silêncio dramático nem pausa poética.
Talvez não se encontre nenhum sentido.
Mas sim uma razão
Movida pela falta de motivação.
Já que ainda existe em mim a necessidade
de dizer.
cansei de calar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vi uma luz cruzar o céu da madrugada
Quis correr atrás e pular do carro em movimento
Talvez fosse uma estrela
-Ou seria apenas a minha imaginação?
Acho que era na verdade um eco do passado, calado,
revivido ali. naquele instante.
Apenas com o intuito de afirmar para o mundo
que também já existiu.

sábado, 5 de março de 2011

Ê cidadão...!

Ela podia sentir a música dentro de si, podia enxergar mesmo de olhos fechados
sob os flashs da camera alheia, sob os olhos de um estranho
Dançava ao som das cordas vocais do tal cidadão instigado
Cantava e gritava
dançava todo o seu ser
e só quem se deixou ser levado por aquelas vibrações
é que sabe do misto de sensações e sentimentos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Os momentos passaram e os sentimentos permanecem. Sempre intactos.
Nunca contidos.
-Como poderiam?
Eles te prendem e te doem.
Consomem.
Conduzem à extremos desconhecidos
Lugares ocultos da mente...



Eu gostaria de não mais lembrar.



não quero mais escrever.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Acordou se sentindo estranha, tomou um café amargo feito as pressas e teve a impressão de que sua xícara, cor de sangue, comprada numa viajem que fizera a uma cidadezinha qualquer, hoje havia se tornado menos vermelha. Andou de um lado para o outro. Fumou o último cigarro da carteira amassada.
-Merda! Preciso sair daqui!
E num momento súbito de coragem, saiu pelas ruas
Determinada a fazer algo grande, algo que fizesse valer a pena seu emprego e vida medíocre.
-Não! Eu não consigo! Não pertenço mais a esse lugar! Eu não sou de lugar nenhum.
Começou então a se lembrar de quando tinha uma vida, pouco antes do seu marido deixá-la, pensou e lembrou de todos os momentos felizes, e isso definitivamente a deixou com raiva!
-Aquele escroto destruiu a minha vida!
Involuntariamente, se pôs a caminhar. Caminhou em direção a casa dele.
-Preciso parar de fumar! ... Ou não! Quem se importa?!
Continuou caminhando. Parou em uma banca velha e compro cigarros. Viu as noticias dos jornais e ficou um pouco triste.
Ela parecia estar em transe, sua aparência se tornara doentia. Tinha o olhar perdido, de quem nem se quer estava ali.
Chegou ao seu destino. Olhou para a porta extremamente vermelha e achou ter descoberto para onde foi o vermelho de sua xícara.
Parou, respirou fundo, tinha as mãos tremulas e lentamente tirou uma arma de uma bolsa negra.
Deu uma última olhada.
-Eu pensei ter sido feliz junto de ti mas hoje percebo que tudo que fizeste foi me tirar a vida! sugaste toda e qualquer alegria. Ficaste com tudo pra ti e deixaste-me miserável. Mas agora, aqui nesse instante, eu tomo posse, novamente, da minha própria vida.
...
E o sangue escorreu, ainda quente, por todo lugar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

E de repente tudo se resume a agonia.
e eu nem gosto dessa palavra.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Gostava muito de escrever, mas agora já não sei mais.
Sai vazio! vázio é alguma coisa? Como é que se coloca o vázio no papel?
Como é, meu deus? Como é que se explica o nada?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O corpo sente a ausência
E estremece a cada lembrança
Provoca delírios, provoca saudade
Ansiedade.
A vontade da presença,
O desejo de voltar a ser.
Perto, cada vez mais perto
Cada vez mais intenso
E quando se acha que já não
Se pode mais aguentar
O amor regressa ao seu devido lugar
Alegrando o outro que antes era apenas lágrima
E somados novamente
Voltam a ser um só.